Meu cachorro ficou cego de repente



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Perceber que o cachorro ficou cego nem sempre é uma tarefa fácil para o tutor. Alguns animais ficam tão acostumados com a disposição dos móveis na casa que, mesmo sem enxergar, conseguem se virar sozinhos, sem esbarrar nos objetos. No entanto, caso a cegueira seja súbita, o animal pode ficar com o comportamento agressivo e medroso, indicando que algo está errado com sua saúde. Além disso, a eliminação de urina ou fezes em locais não habituais também pode indicar que o cãozinho não está com a saúde em dia.
Tanto nos cães quanto nos gatos, a cegueira súbita é um sintoma relativamente raro, havendo várias causas primárias, que incluem causas oftalmológicas e neurológicas. A alteração comportamental pode ser um bom indicativo de que o cachorro não está enxergando. Uma suspeita nesse sentido deverá ser confirmada pelo médico veterinário o mais rápido possível, para que haja tempo de ser realizado um possível tratamento. Se você ficou interessado no assunto, não perca este artigo do PeritoAnimal, que reuniu de forma simplificada as principais causas se seu cachorro ficou cego de repente. Boa leitura!
Descolamento de retina
O descolamento de retina é definido pela separação da retina neurossensorial de seu epitélio pigmentado. Esse afastamento geralmente ocorre entre a camada fotorreceptora e o epitélio pigmentado, e este último da sua fonte de nutrição na coroide, ficando esse espaço preenchido por líquido sub-retiniano, que migra através de uma descontinuidade da camada neurossensorial.
Quando o descolamento de retina é extenso ou total, o sinal clínico predominante é a perda da visão repentina. Esses casos devem ser tratados o mais rápido possível para evitar danos permanentes na retina com a consequente cegueira irreversível no cachorro.

Neurite óptica
É uma inflamação do nervo óptico que geralmente leva a uma perda súbita da visão. Pode acontecer em apenas um lado ou em ambos os olhos, sendo mais comum na forma bilateral, e atingir parte ou a totalidade do nervo. É menos comum nos gatos em comparação com os cães, tendo sido descrita principalmente em animais adultos, ainda que dependa da causa subjacente.
Existem diversas etiologias possíveis para o desenvolvimento de neurite óptica nos animais de companhia. Dentro das causas infecciosas, temos a toxoplasmose, a cinomose e a criptococose. Todas essas doenças devem ser tratadas para que o animal tenha a possibilidade de voltar a enxergar. A neurite óptica também pode se desenvolver após um trauma, o que desencadeia uma inflamação no nervo e a consequente cegueira súbita.
Neoplasias
As neoplasias podem provocar cegueira se estiverem situadas em uma destas localizações distintas: nos meios refrativos (provocando opacidade), na retina (interferindo no processamento da imagem), nas vias visuais (impedindo a transmissão da mensagem) ou no córtex visual (interferindo no processamento final).
Neoplasias nasais também podem causar cegueira se houver invasão intracraniana. Cada caso deverá ser avaliado individualmente pelo médico veterinário, que decidirá qual o melhor tratamento a ser utilizado.

Traumas
Atropelamentos, quedas de alturas, corpos estranhos, projéteis e lutas entre animais, com a penetração de unhas ou dentes podem causar um trauma ocular e a consequente perda da visão.
Além da perfuração, podem ocorrer hemorragia e descolamento de retina, deixando a situação mais grave ainda. O socorro deverá ser imediato para que o prognóstico seja favorável. Brigas de cães na época de cio resultam em vários tipos de traumas, podendo ocasionar alguma lesão ocular.

Hemorragias
Devido aos traumas, pode aparecer a hemorragia intraocular, acompanhada de inflamação. Se os meios oculares não estiverem transparentes, a visão fica prejudicada, podendo ser uma das causas da cegueira repentina no cachorro.
Outro local onde a hemorragia também pode provocar cegueira é na retina, podendo ser hemorragia pré-retiniana, superficial retiniana e intrarretiniana. O tratamento emergencial sempre é necessário para evitar danos graves e permanentes nos olhos do cachorro.
Toxicidade por ivermectina
A ivermectina é um antiparasitário pertencente à classe das lactonas macrocíclicas. Os cães, especialmente algumas raças, como collies, seus descendentes e mestiços, pastores australianos e border collies apresentam uma mutação genética no gene MDR-1 (ou ABCB1), que codifica uma proteína transportadora P-glicoproteína. Essa mutação resulta em uma menor capacidade de excreção da ivermectina, levando a níveis mais elevados da substância no sistema nervoso central desses animais e aumentando o risco de toxicidade.
Os sintomas mais observados incluem ataxia, febre, salivação, tremores, depressão, paralisia, cegueira, pulso fraco e, em casos graves, coma, hipotermia e morte. A medicação indiscriminada de animais realizada por tutores, atrelada ao fato de a ivermectina ser de baixo custo e fácil aquisição, pois não necessita de prescrição do médico veterinário, pode comprometer a saúde e o bem-estar do animal. A má utilização da ivermectina pode resultar em resistência parasitária quando administrada de forma excessiva e desnecessária a longo prazo, tornando um grande problema para a saúde do animal. Por isso, nunca medique seu cachorro sem a orientação do médico veterinário, pois isso pode ser muito perigoso para ele.
Este artigo é meramente informativo, no PeritoAnimal.com.br não temos capacidade para receitar tratamentos veterinários nem realizar nenhum tipo de diagnóstico. Sugerimos-lhe que leve o seu animal de estimação ao veterinário no caso de apresentar qualquer tipo de condição ou mal-estar.
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- Pacheco, G.F.C. Causas de cegueira súbita bilateral em cães e gatos: a propósito de 117 casos clínicos. Universidade de Lisboa, Faculdade de Medicina Veterinária, 2023. Disponível em https://repositorio.ulisboa.pt/bitstream/10400.5/29402/1/Causas%20de%20cegueira%20s%c3%babita%20bilateral%20em%20c%c3%a3es%20e%20gatos_a%20prop%c3%b3sito%20de%20117%20casos.pdf. Acesso em 10/02/2025.
- Ferreira, R. F., Monteiro, R.C.P., Cremonini, D. N. Degeneração retiniana em felinos secundária ao uso de enrofloxacina: relato de 3 casos. Revista Nosso Clínico, 2019. Disponível em https://pesquisa.bvsalud.org/portal/resource/pt/vti-20474.
- Lima, K.C.P. et al. Cegueira transitória devido intoxicação por ivermectina em cão – Relato de Caso. CONEVEPA, 2023. Disponível em https://eventos.agenciape.com.br/anais/conevepa2023/711119-cegueira-transitoria-devido-intoxicacao-por-ivermectina-em-cao/. Acesso em 11/02/2025.